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quinta-feira, 11 de março de 2010

Das coisas que não existem

Fim de um relacionamento: fase de sair à caça. Vasculhei meu guarda-roupa em busca de algo decotado, um bom decote, coisa que não usava a tempos. Coloquei um escarpin lindo que guardo para dias especiais. Liguei para minhas amigas e disse que já estava indo buscá-las. Fomos as quatro, on high-heels sex and the city style, para um barzinho, a nossa Samantha logo arranjou companhia então ficamos em três. Eu, como bomba relógio depressiva pós um relacionamento conturbado, teria prefência para sair de lá com um galã hollywoodiano para uma noite de loucuras. Sentada no balcão, vi de longe um cara, me chamou a atenção logo ao primeiro olhar, com aquele cabelo lindo, sorriso contagiante e um copo de Martini na mão, o que me deixou um pouco pensativa, mas whatever, lindo daquele jeito não me importava com o que ele bebia. Olhei para as garotas já dizendo:
-Achei o alvo da noite, lá vou eu atrás do meu McSteamy!
Terminei de um gole só meu drink, peguei um cigarro e fui até ele.
-Tem fogo?
Ele me olhou de cima a baixo, de perto era ainda mais gato.
-Você deve saber que eu tô esperando alguém.
-Alguém com um decote melhor que o meu?
-Alguém que não precisa de um decote para ser notado.
Com o orgulho ferido após essa frase resolvi não deixar barato.
-Okay, eu espero com você, vamos ver se essa pessoa realmente ganha de mim.
Dez minutos depois de muita espera, nenhuma palavra e dois martinis vejo entrando pela porta uma versão aperfeiçoada de Patrick Dempsey, com o mesmo cabelo perfeito, o mesmo sorriso e a mesma cara de quem sabe dizer as palavras certas. "Dane-se meu orgulho estúpido!" pensei "Vou falar com ele." Já estava levantando-me quando percebi que ele vinha em minha direção, ninguém imagina como me senti, olhei de relance para minhas amigas e elas definitivamente estavam olhando para ele também. "Sim, é isso que chamo de McDreamy!" Todas as garotas do bar olhavam para ele. Ele caminhava em minha direção. Virei de costas para o balcão, não antes de acabar com o meu quinto martini da noite, me sentia confiante o bastante, já imaginava A noite que teria com ele. Ele chegou perto de mim, parou e disse com uma expressão "estou-te-imaginando-nua-agora-mesmo":
-Oi! Demorei?
-Sim, estou esperando minha vida toda por você! - respondi com o maior sorriso da minha vida.
-Desculpa, falava com ele! - apontando para o meu amigo do martini. Sim, o martini não me enganara.
Para mostrar que estava on fire ele me diz entre os dentes "não disse?", vira-se para o cara mais lindo que já vi nesses meus 29 anos e dá um beijo nele, aquele beijo de deixar qualquer um com inveja.
Eu, com o orgulho ainda mais ferido, pedi ao garçom "algo mais forte que o martini juntamente com uma dose de auto-estima", peguei o copo e fui juntar-me as minhas chick friends.
-Okay, vocês viram.
-Amiga você está bem?
-Ótima, melhor perder um gato para outro gato que um gato para uma mocréia, certo? Vamos para casa, garotas.
Aos risos desistimos da noite e voltamos para casa, colocamos nossos pijamas e fomos assistir Grey's Anatomy, ver o Patrick Dempsey com outra mulher não era muito consolador mas as cirurgias eram boas. E nesse dia chegamos a conclusão que a disputa por amor, ou por uma boa noite com uma companhia, não era entre pessoas de um mesmo sexo e sim entre pessoas, sexo define apenas o tipo de dor que você sentirá e qual região do corpo você precisa depilar.

História fictícia, como em não-real: Eu não terminei meu namoro e mesmo se isso tivesse acontecido eu estaria de pijama em casa comendo bolacha , assitindo loucamente a segunda temporada de Grey's anatomy e ouvindo Damien Rice. Além disso eu não tenho um escarpin, não uso decotes, não vou a bares, não tenho 29 anos, não bebo martinis. Pauta para o Blorkutando.

14 comentários:

Chris disse...

do dia que sai de um relacionamento chorei o dia todo, queria ser forte desse jeito.

Olive disse...

deve estar acontecendo alguma coisa no mundo,todo mundo ta terminando os relacionamentos oO

você é bem madura eem? ;D

baobah disse...

nããão, eu não terminei o namoro não, isso é uma das coisas que acho que nunca vão acontecer...
foi só um pseudo-conto.

Giovanna. disse...

Nossa, ficou ótima a história *-* mas acho que na vida real quando chega ao fim, podemos nos sentir livre, assim como sentiu no texto ou então sentir uma perda. é relativo

Duanny!. disse...

SHAUAHAUAHAUAHSU

adoreeei! =)

bem criativo..

Vanessa disse...

Gostei muuuuito do texto! Bem divertido! E adorei a frase: "Sim, é isso que chamo de McDreamy!" hahaha

THAYSA AGUIAR disse...

O seu blog está lindo ! PARABÉNS Õ/

Seguindo o seu blog, segue o meu? :)

DE INVERNO A VERÃO: http://www.deinvernoaverao.blogspot.com/

Bjz, agradeço desde já a colaboração.

Olive disse...

ah tah! eu não li a parte ali em baixo.
foi mals ;D

Deyse Batista disse...

Nem preciso dizer que quando meu namoro terminou, tudo que eu fiz foi me trancar no quarto e fazer palaras-cruzadas até quase enlouquecer, tsc. Queria ser fote desse jeito, mesmo - se bem que se eu fosse, não teria reconquistado o bofe de volta, hihi. De qualquer forma, pessoas assim não sobrevivem por muito tempo. Eu acho.
Adorei o conto, espero que ganhe lá pelo Blorkutando :)

Beijos.

Gabie disse...

hiuhiushiu
levei um baita susto!! mas ae vi q no orkut q vc ainda está namorando :PP

mas a dúvida que ficou no ar.
Você nao terminou o namoro, não tem scarpin, não usa decotes, não vai a bares, não tem 29 anos, não bebe martinis.. mas você pegaria o cigarro?


(O SEU PSEUDO-CONTO FICOU PERFEITO!! MUITO BEM ESCRITO *.*)

Gabi disse...

Juro por tudo o que há de mais sagrado que eu achei que essa história era verdadeira, já estava tomando todas as suas dores aqui. Principalmente quando ele disse "Alguém que não precisa de um decote para ser notado!"
Adorei, parabéns!
Estou seguindo!

Gabriel Pozzi disse...

"Juro por tudo o que há de mais sagrado que eu achei que essa história era verdadeira"

rs

=´(

Raíssa Londero disse...

Uma menina de 17 anos e com um poder na argumentação fantástico!
Estava lendo a história, fictícia como tu mesma mencionastes, e pude imaginar a cena da noite e já estava pensando que tinha me enganando com o seu perfil de tão real e envolvente que ficou a história...
Parabéns!
Legal, legal e legal...

Adorei ler o seu post...

Vou seguir tomando chimarrão e tratar de colocar a "cuca" para funcionar...
Avante!

Noemi disse...

Eu sei que você tá muito pop nesse blog, mas marco minha presença com um elogio bem dado: esse conto é do caralho!
Parabéns!

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