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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Welcome to the Hell

Só quem já passou por uma viagem catastrófica de Alburquerque (New Mexico) para Redondo Beach, na Califórnia em uma pirua amarela com a família para participar de um concurso de beleza infantil sabe sobre o que eu falarei.














Olive, uma garotinha de uns 7 anos, louca por concursos de beleza no estilo "Miss América" vai participar de um concurso chamado "Little Miss Sunshine" em um outro estado, viajando acompanhada de sua mãe Sheryl Hoover, o melhor exemplo de mãe, hiper preocupada com a família colocando os seus interesses pessoais de lado para satisfazer os interesses deles. Nessa viagem também vai o Avô de Olive, um perfeito cafetão tarado que só porque já está velho acha que pode fazer de tudo, mas ama sua neta e é o responsável pelo seu treinamento para o concurso, o criador de sua coreografia e a ajuda ensaiar todos os dias. O pai de Olive, Richard Hoover é o motorista da kombi velha usada por eles. Richard é uma pessoa extremamente alienada, teorico de um livro de auto-ajuda, pensa que o mundo deve ser dividido entre "winners and losers" e nada além disso, nenhuma complexidade e ainda por cima se acha o dono da verdade. Frank, tio de Olive, é a imagem perfeita de um estudioso deprimido, mas não um estudioso qualquer, o mais importante estudioso de Marcel Proust nos USA, intelectual, gay e suicida. O irmão de Olive, Dwayne é, na minha modesta opinião, o melhor personagem, o mais complexo do filme pelo menos. Ele é um garoto de aproximadamente 16 anos que quer ser piloto de aviões na força aérea e por isso faz um voto de silêncio, é um garoto de aparência estranha sempre quieto lendo seu Nietzsche e fazendo seus exercícios diários com o objetivo de preparar-se para a força aérea.
Não é em vão que decidi citar esse filme, ele é composto de desastres do começo ao fim, sendo menos spoiler possível, todos os personagens tem os seus sonhos destruídos por algum motivo mas isso não faz com que eles desistam de tentar - talvez por causa do Richard que fez disso uma coisa doentia (o que é provado naquela cena do hospital), nada fez com que ele parasse com a viagem, nada mesmo, quem viu o filme sabe do que eu falo- ou porque eles simplesmente acreditam, acreditam que alguma coisa ainda pode dar certo. O filme deixa uma mensagem muito bonita, na verdade essa mensagem não passa de uma interpretação da obra de Proust feita pelo Frank num diálogo com Dwayne, diálogo esse que me fez refletir muito e por fim cheguei a conclusão de que não poderiam estar mais certos, bom, aqui vai:


"- Ás vezes, queria dormir até completar 18 anos. Pular toda essa droga, a escola e tudo mais.
- Conhece Marcel Proust?
- Aquele que você ensina?
-Sim. Escritor francês. Perdedor total. Nunca teve um emprego de verdade. Amores não correspondidos. Homossexual. Passou 20 anos escrevendo um livro que quase ninguém lê. Mas é talvez o maior escritor desde Shakespeare. Bem, ele chegou ao fim de sua vida. E, refletindo, decidiu que todos os anos que ele sofreu foram os melhores de sua vida, pois fizeram-no ser quem era. Os anos em que foi feliz? Desperdício total. Não aprendeu nada. Então se você dormir até os 18... pense em todo o sofrimento que irá perder. Colégio? Os anos de maior sofrimento. Não se consegue sofrer mais do que isso.
- Sabe de uma coisa? Danem-se os concursos de beleza. A vida é um concurso de bebelza atrás do outro: escola, faculdade e aí trabalho. Dane-se tudo isso. Dane-se a Academia da Força Aérea. Se eu quiser voar, vou achar um jeito de voar. Sim, faça aquilo que ama e dane-se todo o resto.
- Fico feliz que esteja falando de novo, Dwayne. Não é nem de longe tão burro quanto parece.
- Quer voltar?
-Não mesmo. Bem, deveríamos voltar."

Bom, consegue achar alguma verdade nisso? Quando você sofreu de verdade, não foi isso que fez com que você aprendesse mais do que tudo na sua vida? Fez com que você se tornasse que você é? Então talvez você concorde comigo, com Proust e os roteiristas do filme.

10 comentários:

Gabriel Pozzi disse...

fofa! *-*
falando de meu filme preferido *-*
e coincidentemente, acho que não há filme melhor para combinar com seu blog!
como você mesmo disse, a família é envolvida por desastres por todo o filme, e mesmo assim a história não é voltada pra gente chorar e ter dó, e nos deprimir com eles... é pra gente aprender, com exemplos de superação e dessas pessoas que acreditam.
Como diria Renato Russo, quem acredita sempre alcança.
s2

Vanessa disse...

Ahhhh, eu amo esse filme! Sou viciada nele. Sempre passo um tempão refletindo depois que acabo de assistir!

Inez disse...

Já assisti duas vezes esse filme, não é dos melhores, é próprio para a sessão da tarde.

Thaíse L. disse...

Muito bom esse filme, muito boa a sua interpretação.
E por fim, muito bom seu blog. Amei de verdade.
Tô seguindo!
Bjus.
http://morangocomchiclete.blogspot.com

Gabriel Pozzi disse...

sessão da tarde????? PUTZ!

chorei.

Adilson Jorge disse...

Sem dúvida, PEQUENA MISS SUNSHINE é o melhor exemplo que um roteiro simples e um filme com orçamente pequeno pode ser muito interessante. Longe dos eveitos especiais de Hollywood - que aliás odeio a maior parte deles -, o filme mostra um história tão envolvente que é um elo entre momentos tristes e densos - como quando Dwayne descobre que é daltônico - e momentos de uma beleza simples e alegre como quando Olive fala que prefere dormir com o avô porque precisava ensaiar mais a coreografia e quando, finalmente, ela dança no concurso.

Realmente, um filme que vale a pena!

Abraços
http://ceucaindo.blogspot.com

Rodz Online disse...

Esse filme é bem falado mas ainda não tive oportunidade de assistir, mas como uma boa indicação dessas farei o mais breve possivel.

abçs

Meu Manifesto disse...

Parece ser interessante. Ainda não vi.

Luiza Machado disse...

eu amooooooooo de paixao esse filme!!!
vc viu tb o mesmo do diretor q se chama Juno?

bjocasss lindona!

Luiza
www.bobogema.blogspot.com

30 e poucos anos. disse...

O filme é muito bom...tbm recomendo.

É justamente nas situações em que vc acha q foi vencido que tiramos os maiores aprendizados e evoluímos.

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