Páginas

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

500 days of Summer

Naquela época os meus laços com a gatinha ainda eram fracos mas foram ficando mais fortes com o passar do tempo. Assistir a barriga dela crescer e ficar imaginando os filhotinhos correndo por ai me deixava doida de amor. Pois eu passei a chamar a gatinha de pseudo-minha. Porque ela não era minha de verdade afinal ela não vivia em casa, comigo. A minha ansiedade por ver os filhotes foi crescendo e crescendo. Chegou o carnaval e para quem lembra de março, eu trabalhei uns dias. Dias cruéis, principalmente quando fui atacada por uma ratazana, e nesses dias não vi a Summer. Findado meus dias de trabalho Summer apareceu sem barriga e eu, avó orgulhosa, estava doidinha para ver os filhotes. Passaram 10, 15, 20, 30 dias e nada dos filhotes, até hoje me pergunto o que aconteceu com eles.
Summer no telhado da ex-casa vizinha
Mesmo tendo dado a luz e perdido os filhotes continuei alimentando minha floquinha de neve. E aumentando meu amor. Cheguei até mesmo a chamá-la na rua para fazer carinho nela. A primeira vez que fiz isso fiquei esperando um ataque alérgico que não veio, o que significa que eu continuei indo atrás dela para enchê-la de carinho. Uma coisa que eu notei é que ela não tinha pelagem de gatos normais: o pêlo dela era bem curtinho e não soltava na mão mas não acho que isso seja importante. Viciei na gatinha. E ela em mim. Um dia eu estava na casa da minha vó, no churrasco de aniversário do meu vô, e ela apareceu lá. Foi a sensação da festa, todos fizeram carinho, deram comidinhas e ficaram felizes. Estava decidido, era a minha gata. Claro que eu não poderia levá-la para casa afinal tenho TRÊS cachorrinhas, mas como ela me seguia achei justo dar o título a ela.
Em casa nossas relações eram de muito carinho. Instalei um pote preso à um fio de lã para alimentá-la no quintal da casa abandonada. O ritual era acordar, dar comida para as minhas cachorras, chamar a Summer, colocar a comida dela no potinho, descer o potinho no quital vizinho e então tomar meu café. Sempre assim.
Sempre fiz o ritual até que fiquei doente naquelas semanas em que São Paulo quis brincar de Seattle e fez o maior frio. Não pude dar comida a ela por uns três dias e então Summer sumiu. Já fazem dois meses que Summer não aparece por aqui.
Minha mãe veio com teorias dizendo que ela morreu e só de pensar nisso me dá vontade de chorar. Prefiro acreditar que ela honrou o nome que dei a ela e agora ela está deitadinha em uma almofada dentro de uma sala bem decorada, perto de um potinho sempre cheio de ração. Prefiro acreditar que ela preferiu um casamento com alguém que ela acabou de conhecer à um namoro irregular com uma pessoa tão insconstante quanto eu, não que eu merecia, mas prefiro acreditar no melhor para ela, afinal, chegou o inverno.
E só para registrar, abandonaram uma gatinha siamesa no mesmo quintal. Ela estava machucada nas costas e parece bastante bebê ainda, ela não comeu a comida que dei a ela mas fiz questão de batizá-la Autumn.   

7 comentários:

Janete Egashira disse...

Adorei a história, gostaria de ter conhecido essa gatinha, aliás, essa gatinha é de muita sorte, até história em blog ela tem !
Adoro ler seu blog, é como o Dri disse, realmente ele prende e só saiu quando leio tudinho !
Bjs. e continue com ele.............. estou adorando acompanhar.

Ana Lu disse...

Que história mais fofa, Rú! Tomara que a Summer esteja bem, e que a Autumn aceite sua comida!! hahaha
Beijos!!

Gabie disse...

ouun, quero saber onde está a Summer! :(


e espero que a Autumn goste de vc :)

Anna Vitória disse...

amei o post e a analogia com 500 Days... Genial a outra gatinha ser Autumn. Boa sorte com ela!
Beijo!

Gabriela Petrucci disse...

Ruvs, sua gênia! <3

Érika disse...

lol

Evelyne disse...

Quero ter um gatinho mas minha mãe não deixou depois que tive QUATRO - só uma morou comigo, outros três foram "adotivos" como a Summer - e eles fugiram.
A primeira foi como a Summer. Peguei ela na rua pra cuidar, mas depois ela fugiu e ficou perambulando pela rua, só voltava pra comer. Deixei que ela fazer o que quer, e eis que me aparece grávida. Sim. Depois de uns dias que teve filhotes sumiu. Sorte que os filhotinhos ficaram como ela perambulando pela rua. Peguei três adotivos pra cuidar - ou melhor, acho que eles me pegaram - dando comida sempre, até que eles só deixaram de aparecer...
Queria muito continuar cuidando de bichinhos, depois que a gente se apega não consegue largar mais né? Sorte e felicidade com a Autumn.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...