Páginas

segunda-feira, 14 de março de 2011

Minhas viagens de Carnaval

Há mais ou menos 1 ano atrás eu fiz estágio em uma agência de fotojornalismo chamada Futura Press. Essa agência fica, de ônibus e metrô, a 2 horas e alguns minutos da minha casa então por isso o estágio foi só um estágio e não se tornou trabalho, pra falar a verdade eu gostaria de trabalhar por lá mas essas viagens - ida e volta - de 4 horas e as longas jornadas de trabalho aos sábados, domingos e feriados, o que me impossibilitaria de colocar os estudos em dia, me impedediram de pegar o emprego fixo por lá. Sim, o verbo TO COMMUTE foi feito para mim nessa situação. Quando meu estágio terminou fui trabalhar em um escritório de contabilidade em frente de casa, profissão nada a ver, mas trabalho perto (do outro lado da rua).

Enfim, apesar de ter saido de lá em algumas datas importantes e movimentadas, jornalisticamente falando, eu volto lá como free lancer. Foi assim nas eleições no ano passado e foi assim nesse carnaval. Trabalhei lá nos dias 05, 06, 07, 08, 12 e 13 de março das 10:00 às 19:00. Como já disse que levam duas horas e pouco para chegar lá em Jaguaré City vocês já fizeram as contas que saí de casa às 7:30 da manhã e cheguei às 21:30. Pra quem não conhece minha linda São Paulo, aqui vai um maps:



Minhas viagens de Carnaval foram essas, sair da Vila Cisper (A) e chegar em Jaguaré City (B), sair de Jaguaré City e chegar na Vila Cisper. Chegava em casa o bagaço, nem isso, chegava em casa o bagaço processado e peneirado. Mas por mim tudo ok porque eu gosto de me sentir viva e trabalhadora, sem contar na gratificação de pensar que estava fazendo parte da imprensa e jornais levariam as fotos que eu ajudei a editar e vender, isso pra mim é uma coisa incrível, sem contar que pude rever os amigos queridíssimos (zoar a irmã vai pra minha lista das melhores coisas do mundo) e dar muita risada.

Para voltar pra casa pego ônibus em frente a um supermercado, o que significa movimentação. Movimentação, vírgula, nos dias em que o mercado estava aberto: sábados e segunda-feira, véspera de feriado. No domingo e na terça-feira, feriado de Carnaval, ficamos eu e o monte de feno rolando pela rua totalmente deserta.

Fui criada por uma fã do Datena, um jornalista que nem é sensacionalista. Minha mãe vê perigo em tudo e onde não tem ela imagina. Uma rua deserta é o cenário ideal de um crime, aprendi isso de criança lendo os livros da Coleção Vagalume. Talvez eu tenha herdado isso dela, uma imaginação fértil para crimes. Ou talvez eu já tenha lido muitos livros do Mario Puzo.

No domingo fiquei nesse ponto sozinha por 40 minutos porque o damn ônibus não aparecia de jeito nenhum. Cada carro que passava era um minuto de respiração a menos para os meus pulmões. Já imaginava a cena do meu corpo boiando na represa, assim mesmo, Mércia Nakashima feelings ou o menos pior, um capitão da areia vindo me assaltar. Passei os 40 minutos, desculpem a expressão, com o cu na mão. Quando eu vi aquele Metrô Vila Mariana virando a rua uma lágrima de felicidade brotou nos meus olhos.

Já na terça, antes de ir embora joguei no ar o meu medo de ficar sozinha no ponto mas como ninguém podia sair do trabalho fui condenada a mais 40 minutos de terror. Nesse dia eu estava resignada não deixar o medo me dominar então a atitude mais sensata a tomar era a de pegar o primeiro ônibus que passasse, não importa correr o risco de assalto no metrô Marechal Deodoro, metrô é metrô, melhor que ponto de ônibus no fim do mundo. Estava lá firme e forte, com uma garrafa de água na mão, pronta para ser usada na cabeça de qualquer um que mexesse comigo, vigiando os lados e principalmente a rua de onde o ônibus sai. Minha concentração na rua do ônibus só oscilava quando era o tempo da vigilância contra capitães até que eu senti algo que mandou garrafa de água, resignação, controle de medo e escambal para o inferno. Senti um pesinho no pé, assim, subindo pra boca da calça daí tive a reação comum: olhei para o meu pé pra ver o que estava causando esse peso. Seria melhor não ter olhado. UMA RATAZANA ESTAVA EM CIMA DO MEU PÉ, e o pior, pronta para uma escalada.

Quando eu vi o bicho tive aquela reação básica de menininha, dei um pulo pra trás e gritei. Nesse momento o pânico da situação + o medo da rua deserta + raiva do ônibus que estava demorando me atacaram de vez então é óbvio que eu comecei a chorar. Chorar muito. E ainda vem o pior do pior, um dos colegas de trabalho ia passar lá no ponto porque ele foi em casa buscar alguma coisa. Sabe aquela vergonha alheia de si mesmo? Que situação: um rato subiu no meu pé e eu fico chorando feito boba? É claro que ele não podia ver aquela cena mas só de pensar que eu precisava parar de chorar me fez chorar mais. Quando enfim controlei o choro ele passou e eu contei a história pra ele toda descontraída, "dá pra acreditar?", como se toda semana tivesse um dia do rato no pé. Claro que depois disso deixar o pé no chão por mais de 3 mississipis estava totalmente fora de cogitação.

Um ônibus apareceu e eu pulei pra dentro mesmo correndo o risco com os capitães da areia, melhor ataque humano que ataque de ratos. Sentei na poltrona, peguei o celular, apertei aquele botão verdinho e do outro lado escutei a voz do namorado. "UMMM RAAAAATO SUUUUBIU NOOOO MEEEEEEEU PÉÉÉÉÉ!" e mais lágrimas precisariam ser controladas.

Cheguei em casa, depois de 2 horas mordendo a bochecha por dentro e cutucando os cantinhos das unhas. Minha mãe pergunta "tudo bem?" e lá fui eu mais uma vez "NÃÃÃO, UMMM RAAAAATO SUUUUBIU NOOOO MEEEEEEEU PÉÉÉÉÉ!". Dessa vez não fiz questão de controlar lágrima nenhuma. Arranquei a calça, o tênis e mandei lavar tudo. Mamãe veio com chazinho calmante.

Claro que sábado foi o dia de falar do ocorrido para todos do trabalho e torcer que uma alma tivesse a bondade de me acompanhar no ponto de ônibus no dia seguinte. Todos riram da minha cara, até mesmo eu ri mas de volta a cena do crime não parei de vigiar o chão, perderia o ônibus mas não perderia de vista qualquer animalzinho, uma folha de árvore se mecheu com o vento e eu dei um pulo, imagine a tensão!

Minha apreensão veio forte no domingo. Mas a Fernanda, irmã, fez a fofura de ficar comigo no ponto de ônibus me protegendo de ataques de ratos malignos (me preocupar com capitães da areia pra quê, né?). E em falar em fofuras e gentilezas, a RosÂngela fez lanchinho para todo mundo. E mais uma vez o dia foi salvo graças ao Team Futura. (yaay Loucura Press)

***
Gente, essa semana estive meio ausente mas cá estou mais uma vez. Queria dizer que a #mafiadascartas está me enchendo de orgulho, já recebi 2 cartinhas. E já que o Etapa (chupa!) começa hoje tenham paciência em relação as respostas dos comentários de vocês, Google Reader tarda mas não falha.

16 comentários:

Gab disse...

Meus Deus!! Como assim? Os animais estão perdendo o respeito mesmo né? As pombas não voam mais quando passamos perto, quase temos que pedir licença a elas, as largtixas estão mordendo pernas por aí [do meu namorado!], e os ratos subindo em pés em plena luz do dia!!
Que nojiiinho.
Beijo.

Gabriela Petrucci disse...

AICREDO,QUEHORROR! Uma vez uma barata subiu no meu pé. Eu fiz o maior escândalo do mundo. Se fosse um rato, eu morria do coração!

Queria estagiar num lugar legal assim!

Bons estudos! *-*

Beijo

Amanda disse...

HAHA, RI LIIIIIIIIITROS aqui.
Outro dia tive um episódio com Ratazanas também. Eu ia sair do carro de Weslley quando vi uma ratazana indo para debaixo da porta. Claro que fiquei lá, parada, e esperei a ratazana saír para eu, sorrateiramente, correr para o meu portão, abrí-lo e fechá-lo rapidamente. TUDO PELA SEGURANÇA, HAHA!
Os feeds tardam mas não falham MESMO. Geralmente leio os posts de todo mundo, mas nem sempre tenho tempo de comentar. Mas hoje me dei uma folguinha pela manhã e tô aqui, linda, comentando!

Beijão, gata!

Gabriel Pozzi disse...

oi amor!
hahahaha eu lembro de vc toda bobinha chorando no telefone "mimimi um rato"!!! se naquele dia no cursinho um rato passou a dez metros da gente e vc já ficou toda paralisada, eu imagino no seu pé '-'

enfim, aquele dia vc me deixou muito preocupado, eu odeio o datena mas tbm sempre fico com medo de perder minha gatinha pra criminalidade de são paolo city.
mesmo qdo vc fala "to segura com meu tio" eu já fico preocupado, daí vc me vem com essa de "to no meio do deserto, tudo escuro, tudo fechado, vou morrer", putz, não via a hora de vc ficar segura :(

bjs te amo =)

Nina Vieira disse...

Olha, essa pela qual vc passou, eu não desejko pra ninguem! Caramba, se eu estivesse no seu lugar, entraria em panico tambem e, alem de tudo, iria imediatamente ao medico ver se estava doente de sei lá, qualquer coisa. Que medo...

E que saga essa pra chegar ao trampo, hein?

Um beijo!

Lara disse...

No seu lugar eu faria a mesma coisa. E nem tanto por medo do rato, mas porque sou uma neurótica com mania de limpeza. Caramba, se em qualquer poça de água que eu piso já fico com medo, imagina um rato querendo subir na minha perna! Com certeza seria neura para um ano inteiro hahaha

E que chato passar 4 horas para andar de um lugar ao outro. Aqui na minha cidade os bairros são bem próximos, acho que o mais distante fica a 40 minutos ou 1 hora, mas existe o problema dos atrasos e dos terminais de integração.

Às vezes você quer ir num lugar e leva um tempão só porque o ônibus passa perto, mas não para exatamente lá, e você precisa descer no terminal, esperar com muita paciência, e então pegar um que pare na porta. O mais bizarro nisso é que em alguns lugares, sairia até mais rápido ir andando.

Beijos

Carol disse...

Trabalhei por 2 anos em outra cidade, e levava essas mesmas 4 horas ida e volta todos os dias! É bem cansativo mesmo, mas acabei me acostumando!

Sobre o rato, meu, que tenso! Quando o assunto é esse tipo de bicho fico muito mulherzinha também. Mas ainda bem que você estava de tênis e calça, menos pior!

Beijos.

Long Haired Lady disse...

quando cheguei em sampa saia de casa as oito da manha e chegava as oito da noite, era duro!

uma vez acordei com um sapo em cima de mim….ahhhhhhh

Tiêgo R. Alencar disse...

Gente, e eu que entrei no seu blog esperando folia e me deparei com seus... desastres? hahahahahahaha MUITO BOM! E olha, quanto ao rato eu dei uma morrida básica juntinho com você, fique mais tranquila. kkkkkkk


Beeeijo :*

Tary disse...

Menina do céu! Que sufoco! Se um rato subir no meu pé eu tenho um treco. Pior ainda se for barata, hahahaha! Ai, esses bichos nojentos, argh. Também morro de medo de ficar sozinha no ponto e mais ainda de ir pra casa depois que desço no meu ponto, tenho calafrios até. Beijos :*

Ana Lu disse...

Rúvila, que SUFOCO! Eu ia pirar, certeza. Admiro sua capacidade de controlar suas lágrimas, porque eu ia ficar chorando de nervoso umas 2h, hahaha.
Beijos!

Érika disse...

Essas coisas parecem só acontecer c vc mana !
Pf, o que foi vc chegando em casa mais nervosa do que não sei o que ? haushausuas

Kamilla Barcelos disse...

Pelamor, eu morreria se acontecesse comigo. Só de ver um rato, eu morro de agonia. Imagina se ele tivesse contato comigo! Acho que semana que vem sua carta, chega, viu?

pocketlibro disse...

2 horas de viagem, ida e volta é muita coisa mesmo
Uma pena perder uma oportunidade tão bacana assim
Aqui em Brasilia, dependendo do lugar tambem leva umas 2 horas...

Anna Vitória disse...

Gente, TADINHAde você. Me condoí de dó aqui, porque eu morro de medo desses bichos asquerosos e no seu lugar acho que tinha tido um piti e desmaiado. Tenho TANTO HORROR de ratos que você nem imagina!
beijos

Deyse Batista disse...

MEU DEUS, que história foi essa? hahaha Olha, já subiu em mim baratas e outros insetos, mas rato é inédito na história mundial, haha!
E acho que entendo bem as suas viagens ida-volta, porque é esse o tempo que levo até a faculdade :~
Ah, acho que mando sua cartinha essa semana. Deram uma semana de folga das provas o/

Beijos!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...