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domingo, 12 de agosto de 2012

Por que escolhi jornalismo?

Na maioria dos dias eu esqueço porque optei por esse curso. Sério. Me pego lendo algum artigo ou vendo uma aula na qual bombardeamos a grande mídia com críticas ferozes (e com muita razão). Penso que vivo em um país no qual as pessoas mal leem o panfleto da pizzaria e nesse mesmo país, a novela, cujo final todos já sabem, tem mais audiência que um programa interessante e inteligente que passa no mesmo horário. Pra falar a verdade, nem é necessário ter diploma pra exercer a profissão de jornalista (o que eu rezo muito pra mudar, VAMOS LÁ DEPUTADOS!). Por que alguém em sã consciência optaria por uma profissão na qual não existe feriados, não há margem de erros, não é estável, não faz fortuna, etc etc etc??

Foi uma escolha totalmente sentimental.  Só pode ser amor. Desde que escrevi meu primeiro info na Futura Press, a agência de fotojornalismo onde trabalhei, sabia que minha vida não seria mais a mesma. Tentei fugir, prestar outra coisa, buscar outros caminhos, o que todos sabem que não deu muito certo afinal hoje estou lá na USP estudando pra ser justamente esse ser estressado e altamente criticado. Agora não consigo me ver fazendo outra coisa que não seja escrever e passar alguma coisa interessante adiante.

Queria pensar que o jornalismo vai fazer uma grande diferença na vida das pessoas. Pode até fazer, claro, mas ou não é uma diferença muito grande ou não são muitas pessoas assim. Pensando assim por cima, o jornalismo é hoje uma coisa que está na vida de todos mas não como uma escolha de primeira necessidade. Falando do grande público, a informação caí no colo das pessoas através de uma invasão da TV e só. Nada muito profundo. Podemos considerar o jornalismo como o café da tarde: uma coisa que todos precisam mas quase ninguém morre de amores e muitos até pulam essa refeição totalmente underrated. (E, sinceramente, nem dá pra morrer de amores com esse jornalismo que a gente anda vendo por ai)

Não sou lá idealista (apesar de querer ser) a ponto de pensar - como alguns dos meus colegas de classe quando um professor expôs essa questão pra classe - que vou mudar o mundo. Se fosse pra isso acontecer, o William Bonner já teria feito. Mas sou idealista o bastante pra pensar que eu posso mudar o jornalismo. Sim, acho que ainda dá pra salvar e é por isso que eu vou à faculdade, estudo, pego optativas que me ocupam a tarde,converso com os colegas (que no fundo tem esse mesmo desejo mas ainda não sabem)... Tudo isso em busca do jornalismo interessante.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Primeiro Semestre

Como todos sabem, eu entrei na faculdade nesse ano. Primeiro semestre.

É obvio que o primeiro semestre em qualquer faculdade é cheio de primeiras vezes. Muitas. Pra mim não foi diferente. Comecei a ler coisas sérias sobre assuntos sérios para serem discutidos nas aulas por professores doutores sérios (ok, nem todos) que têm diversos livros publicados e passam as férias no exterior. Passei a viajar a cidade todos os dias e entrei em contato com pessoas de lugares bem diferentes e distantes dessa minha bolha cosmopolitana paulista. Gente de vários sotaques passaram a vir conversar comigo todos os dias sobre assuntos diferentes daqueles "preciso estudar física"que eu escutava no cursinho.

Passei a buscar informações sobre política mais constantemente e formei muitas opiniões sobre esse ou aquele partido. Chamo pessoas de "tucanos" como se fosse uma ofensa. Já sei em que vou votar. Aprendi a enxergar coisas que eu não era capaz antes de pisar nas terras férteis da ECA USP todos os dias.

Nesse semestre fiz minha primeira entrevista via e-mail (Oi, Mayra!), entrevistei conhecidos e venci minha timidez pra entrevistar uma desconhecida (e não foi nada difícil, inclusive descobri que não sou tão tímida quanto eu pensava). Percebi que nasci pra essa coisa empolgante que é o jornalismo. Fiz minha primeira matéria (leiam aqui), meus primeiros artigos supostamente sérios e nisso descobri com é possível escrever mais que 5 páginas a partir do que eu aprendi na pior aula da pior professora (aquela que deveria ter se aposentado há anos).

Englobei muitas palavras novas em meu vocabulário do dia a dia com os amigos de outros lugares e principalmente, fiz amigos. Muitos amigos, muitos os quais já posso dizer que sinto saudade (estando apenas no sexto dia de férias). Fui adotada para uma família Ecana e tudo.

O que eu posso falar a partir desse balanço é que não sou mais a mesma pessoa de antes da Semana dos Bixos.

Essa menina com esse alto grau de awesomeness na foto, no dia da matrícula da USP já não existe mais.

Mas o fim do primeiro semestre também me serviu de lição pra que eu me prepare melhor pra alguns desafios que encontrarei no segundo semestre, como o São Remo - um lindo jornal laboratório que tem potencial pra ser muito falado por aqui.

Eu, que tenho uma obsessão por "primeiros", vou deixar esse primeiro semestre bem gravado na minha memória. E como é um recomeço, vou renovar aquela meta de postar mais por aqui. Detestei o vazio que meu blog ficou nesses meses. Agora com a ajuda da Analu :)
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